AFA promove seminário em Foz para discutir proteção de crianças e adolescentes
Evento nos dias 8 e 9 de outubro reúne profissionais de diferentes áreas para debater prevenção, acolhimento familiar, reintegração e adoção

Katya Santos

A Associação Fraternidade Aliança (AFA) realiza nos dias 8 e 9 de outubro, em Foz do Iguaçu, o 1º Seminário sobre o Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC). O evento busca aproximar as diretrizes nacionais da realidade dos profissionais que atuam na proteção de crianças e adolescentes no município e na região.
A iniciativa marca os 35 anos de atuação da AFA na área de proteção social e garantia do direito à convivência familiar e comunitária. O seminário é realizado em parceria com a Prefeitura de Foz do Iguaçu e a Associação de Pesquisadores e Formadores da Área da Criança e do Adolescente (NECA).
O encontro será realizado das 8h às 17h, no auditório da Descomplica UniAmérica – Centro Universitário. A abertura está marcada para as 8h30 de quinta-feira (8). As inscrições são gratuitas e as vagas são limitadas. Participantes de mais de 50 municípios já se inscreveram.
Prevenção e acolhimento estão entre os temas
A programação será dividida em seis eixos temáticos, que vão abordar questões como prevenção de situações de risco, qualidade dos serviços de acolhimento, família acolhedora, reintegração familiar, adoção e acompanhamento de adolescentes e jovens que deixam os serviços de acolhimento.
A palestra magna será realizada na quinta-feira (8), às 10h30, pela psicóloga Dayse César Franco Bernardi, integrante do Conselho Gestor do NECA, de São Paulo. Mestre em Psicologia Social e especialista em Psicologia Jurídica, ela atua na formação de profissionais e na discussão de políticas públicas relacionadas à área.
A programação parte de uma questão central: o que pode ser feito para garantir que crianças cresçam com segurança, cuidado e vínculos familiares, evitando o afastamento da família sempre que isso puder ser prevenido?
Para a consultora de formação da AFA, Suzane Amorim, a revisão do PNCFC reforça a responsabilidade dos municípios na elaboração de estratégias locais.
“Precisamos criar planos de atuação em âmbito local, regional e estadual para garantir o direito à convivência familiar e comunitária das crianças e adolescentes, e entendemos claramente nosso papel nesse processo”, afirma.
O seminário reunirá profissionais das áreas de saúde, educação, assistência social, segurança pública e Justiça, além de conselheiros tutelares, representantes do poder público e da sociedade civil.
Integração da rede de proteção
A coordenadora da Equipe de Supervisão de Apoio ao Serviço de Acolhimento de Foz (ESASA), Márcia Barros, destaca a importância do encontro para aproximar os diferentes profissionais envolvidos no atendimento.
“É uma forma de cada um falar do próprio trabalho para facilitar acessos e agilizar processos na prática”, declara.
Também participa do debate o juiz auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça, Hugo Gomes Zaher, que atua na formulação e implementação de políticas judiciárias relacionadas à área.
Segundo ele, encontros como o seminário ajudam a transformar as diretrizes nacionais em ações aplicadas nos municípios, além de fortalecer a articulação entre o sistema de Justiça, a assistência social e os demais integrantes da rede de proteção.
Família acolhedora como alternativa
A AFA atua há 35 anos em Foz do Iguaçu e mantém, em parceria com o município, o Programa Família Acolhedora, que já recebeu mais de 320 crianças ao longo de 13 anos.
O serviço seleciona, prepara e acompanha famílias que recebem temporariamente crianças e adolescentes afastados das famílias de origem por determinação judicial. Paralelamente, a rede de proteção acompanha as famílias de origem com o objetivo de criar condições para uma possível reintegração familiar.
“ Aumentar a quantidade de famílias acolhedoras é uma medida urgente para evitar que crianças precisem ficar em instituições de acolhimento, porque isso, sim, garante a convivência familiar e comunitária”, afirma Suzane Amorim.
Segundo a AFA, em Foz do Iguaçu, o acolhimento familiar chegou neste ano a uma capacidade equivalente a quase seis casas-lares. Ainda assim, a proporção é de aproximadamente 70% de crianças acolhidas em instituições e 30% encaminhadas para famílias acolhedoras.
No país, em 2025, o número de vagas oferecidas pelo Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora ultrapassou, pela primeira vez, a quantidade de vagas em casas-lares, com 10.035 contra 9.834, segundo os dados apresentados pela organização.
Livro será lançado durante o evento
Durante o seminário, a AFA também lançará o livro “Historinhas que Curam”, publicação que reúne histórias lúdicas inspiradas em situações reais e recriadas em uma narrativa de ficção.
A obra será publicada pela Nova Práxis Editorial e pretende ampliar o alcance de experiências relacionadas à proteção social e ao acolhimento de crianças e adolescentes.
Sobre o PNCFC
O Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC) 2025–2035, instituído pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), orienta políticas de proteção voltadas à garantia da convivência familiar e comunitária.
Entre as situações contempladas pelo plano estão pobreza, violência, negligência, ausência de rede de apoio, acolhimento institucional, adoção, separação familiar e dificuldades relacionadas às condições de cuidado.
Serviço
1º Seminário sobre Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária – Diretrizes, Desafios e Boas Práticas
Data: 8 e 9 de outubro de 2026
Horário: 8h às 17h
Local: Auditório da Descomplica UniAmérica – Centro Universitário
Endereço: Avenida das Cataratas, 1118, Yolanda, Foz do Iguaçu
Inscrições: gratuitas e com vagas limitadas.
Informações e inscrições: Doity – 1º Seminário sobre Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária

Katya Santos
Equipe de jornalismo do Acontece Foz




