Anta e veado-bororó são os primeiros nascimentos do Refúgio Biológico da Itaipu em 2026
Filhotes reforçam ações de conservação e indicam sucesso do Programa de Reprodução de Espécies
Luana Kampmann

Os nascimentos de um veado-bororó (Mazama nana) e de uma anta (Tapirus terrestris) marcaram o início de 2026 no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), da Itaipu Binacional. Os filhotes, batizados de Bambi e Jamelão, são os primeiros do ano e simbolizam avanços importantes na conservação de espécies ameaçadas de extinção.
De acordo com a médica-veterinária Aline Konell, da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu, a reprodução contínua dos animais demonstra a eficiência do programa desenvolvido pela usina. A profissional destaca que, ainda em 2026, um casal de antas deverá ser destinado à reintrodução na Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, em parceria com o Projeto Refauna.
“Esses nascimentos permitem reforçar a população tanto em número quanto geneticamente, além de gerar dados científicos e protocolos de manejo que auxiliam outras instituições que trabalham com conservação”, explica Aline. Somente em 2025, o RBV registrou o nascimento de 65 animais de dez espécies diferentes.
O manejo dos filhotes nos primeiros meses é considerado fundamental para garantir o desenvolvimento saudável até a fase adulta. Ao identificar a gestação, as equipes do refúgio separam o casal e transferem a fêmea para um recinto especial, garantindo melhores condições para o parto e os cuidados iniciais. As mães de Bambi e Jamelão, ambas de primeira cria, ficaram alojadas em espaços próximos na chamada “maternidade” do RBV.

O veado-bororó Bambi nasceu em 12 de janeiro, filho de Bambina e Skol, e é o 218º nascimento da espécie registrado no programa da Itaipu. Em sua última pesagem, apresentava 998 gramas, com bom ganho de peso e estado de saúde considerado satisfatório. Por serem animais mais ariscos, os cuidados com os veados priorizam a observação constante, especialmente nas primeiras 48 horas de vida.
Segundo a veterinária, as principais causas de mortalidade neonatal estão relacionadas à chamada Tríade Neonatal — hipoglicemia, hipotensão e hipotermia — o que reforça a importância da atenção permanente dos cuidadores. Procedimentos como a cura do umbigo e o acompanhamento da alimentação fazem parte da rotina inicial.
Já a anta Jamelão nasceu em 15 de janeiro, três dias após o veado. Filho de Mandioca e Pepeu, ele é o 36º indivíduo da espécie nascido no RBV. O nascimento marca também a aposentadoria reprodutiva de Pepeu, cuja genética já está amplamente distribuída, e confirma a capacidade reprodutiva precoce de Mandioca, que se tornou mãe antes dos três anos, contrariando registros científicos tradicionais.
A gestação das antas dura cerca de 13 meses, com o nascimento de apenas um filhote por vez — exceção registrada apenas em 2011, também no RBV, quando houve gêmeas. Além de Jamelão, outras antas nascidas recentemente e as gestações em andamento indicam um período de alta fertilidade no refúgio.
Fotos: Sara Cheida / Itaipu Binacional
Luana Kampmann
Equipe de jornalismo do Acontece Foz






