Crescimento da população em situação de rua desafia políticas públicas; Foz reforça ações após morte de mulher em vulnerabilidade
Município lamenta a morte de Miguelina Pedroso dos Santos e destaca atendimentos realizados pela rede de assistência, saúde e segurança, além do fortalecimento das ações integradas.
Luana Kampmann

O aumento da população em situação de rua no Brasil tem ampliado os desafios enfrentados pelos municípios na oferta de atendimento e proteção social. Dados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) apontam que o número de pessoas vivendo nas ruas passou de 198,7 mil para 392,4 mil entre o início de 2023 e junho de 2026, um crescimento de 97,4%.
O cenário reflete uma combinação de fatores, como vulnerabilidade social, insegurança habitacional, rompimento de vínculos familiares e questões relacionadas à saúde mental. Embora redes municipais de assistência, saúde e segurança desenvolvam ações de abordagem e acolhimento, a baixa adesão aos serviços e a recusa de atendimentos continuam sendo desafios recorrentes.
Município lamenta morte de Miguelina
Em Foz do Iguaçu, a Prefeitura lamentou a morte de Miguelina Pedroso dos Santos, de 58 anos, vítima de um episódio de extrema violência. Em nota, a administração municipal afirmou que nenhuma forma de violência pode ser aceita e informou que revisou os protocolos de atendimento e proteção à população em situação de rua, reforçando a integração entre as secretarias municipais e os órgãos de segurança.
Histórico de atendimentos
Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social, Miguelina foi acompanhada pela rede socioassistencial ao longo de um período prolongado, somando 27 atendimentos registrados.
Durante esse acompanhamento, foram realizados diversos encaminhamentos para serviços de acolhimento, incluindo o Albergue Noturno e a Casa de Passagem I, além de acompanhamento técnico especializado e oferta de pernoite após desligamento do acolhimento.
Em 2025, a mulher permaneceu acolhida por aproximadamente 50 dias na Casa de Passagem I. Conforme os registros da secretaria, ao longo do acompanhamento ocorreram recusas aos serviços, evasões e desligamentos voluntários.
A equipe também realizou tentativas de reaproximação familiar, com contatos junto a parentes residentes em Foz do Iguaçu e em outros municípios. De acordo com o município, houve baixa disponibilidade da família para retomar a convivência, além de resistência da própria usuária em aceitar possibilidades de reinserção em razão de conflitos anteriores.
Atendimento na área da saúde
A Secretaria Municipal de Saúde informou que também prestava assistência por meio do Consultório na Rua, serviço especializado voltado ao atendimento da população em situação de rua.
A equipe multidisciplinar realiza abordagens diretamente nos locais onde essas pessoas permanecem, oferecendo acompanhamento em casos relacionados à saúde mental, uso de álcool e outras drogas, além de orientações e encaminhamentos para tratamentos e demais serviços da rede pública.
Ações integradas
Entre as estratégias desenvolvidas pelo município estão o programa Ações Ruas Visíveis, realizado em parceria entre as secretarias municipais de Assistência Social, Saúde e Segurança Pública, além do atendimento contínuo do Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS) nos períodos fora das ações programadas.
Outra iniciativa é a Operação Nossa Casa, criada para ampliar a presença das equipes especializadas nas ruas e fortalecer o atendimento à população em situação de vulnerabilidade.
A Prefeitura afirma que mantém como prioridade a proteção da vida, a promoção da dignidade humana e o fortalecimento das políticas públicas voltadas às pessoas em situação de rua.
Luana Kampmann
Equipe de jornalismo do Acontece Foz





