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Pesquisa da UNILA aponta desconforto térmico em pontos de ônibus de Foz do Iguaçu e propõe soluções urbanas

Estudo identifica temperaturas extremas nos abrigos e sugere modelos adaptados ao clima para melhorar o transporte público

Luana Kampmann

Luana Kampmann

30 de abril de 2026
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Pesquisa da UNILA aponta desconforto térmico em pontos de ônibus de Foz do Iguaçu e propõe soluções urbanas

Uma pesquisa da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) acende um alerta sobre as condições enfrentadas por usuários do transporte coletivo em Foz do Iguaçu. O estudo revela que os pontos de ônibus da cidade apresentam níveis elevados de desconforto térmico, com temperaturas que podem representar risco à saúde da população.

O trabalho, intitulado “Conforto Térmico em Pontos de Ônibus: Estratégias Bioclimáticas para Clima Subtropical Úmido”, foi desenvolvido pelo pesquisador Guilherme Mella dos Santos no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, sob orientação de Egon Vettorazzi e coorientação de António Figueiredo.

Segundo dados do IBGE, cerca de 20 mil pessoas utilizam diariamente o transporte coletivo na cidade. Para esse público, a espera nos pontos pode se tornar um desafio, especialmente devido às condições climáticas extremas da região.

Temperaturas críticas e riscos à saúde

Durante o estudo, foram identificadas temperaturas alarmantes: até 70°C no asfalto, 60°C nas calçadas e quase 60°C nas coberturas dos abrigos. “São temperaturas que representam risco real à saúde das pessoas”, afirma o pesquisador.

A análise mapeou mais de 1.200 pontos de ônibus cadastrados, com 16 tipos diferentes de estruturas, agrupadas em seis categorias. A maioria apresenta problemas como uso de materiais que acumulam calor, ausência de sombra, ventilação insuficiente e falta de arborização no entorno.

Metodologia e percepção dos usuários

A pesquisa combinou medições em campo, questionários com usuários e simulações computacionais por meio do software ENVI-met. Ao todo, 96 usuários participaram da etapa de percepção, apontando calor excessivo no verão, frio intenso no inverno, além de problemas como falta de manutenção e limpeza.

Soluções de baixo custo e impacto urbano

Com base nos dados, o estudo propõe alternativas simples e viáveis, como o uso de coberturas com vegetação (telhados verdes), pavimentação clara, plantio de árvores nativas e melhorias na ventilação dos abrigos. Dois novos modelos de pontos de ônibus foram desenvolvidos, adaptados às diferentes orientações solares (Leste/Oeste e Norte/Sul).

As propostas indicam que essas mudanças podem reduzir em até 6°C a temperatura interna dos abrigos, além de melhorar índices internacionais de conforto térmico, como o UTCI.

Problema recorrente no sistema de transporte

Os resultados dialogam com outro estudo da UNILA, realizado em 2024 pelo Grupo de Pesquisa em Mobilidade e Matriz Energética (GPMME), que já havia apontado a precariedade dos pontos de ônibus como um dos principais problemas do sistema de transporte coletivo da cidade.

Para o coordenador do grupo, Ricardo Hartmann, a qualidade desses espaços é essencial. “Os pontos de ônibus são parte fundamental do sistema. As pessoas precisam de proteção contra sol, chuva e calor”, destaca.

Contribuição científica e próximos passos

Além do impacto local, o estudo contribui para preencher uma lacuna acadêmica. Segundo Vettorazzi, há poucos trabalhos brasileiros sobre conforto térmico em pontos de ônibus, mesmo em um país com clima predominantemente quente e alta dependência do transporte público.

A próxima etapa da pesquisa prevê a construção de protótipos dos modelos propostos, que poderão ser apresentados ao poder público como base para políticas urbanas mais eficientes e sustentáveis.

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Luana Kampmann

Luana Kampmann

Equipe de jornalismo do Acontece Foz