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UNILA concede título de Doutora Honoris Causa à Iyalorixá Marina de Tunirê

Honraria póstuma reconhece trajetória de luta antirracista e valorização dos saberes ancestrais na Tríplice Fronteira

Luana Kampmann

Luana Kampmann

29 de abril de 2026
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UNILA concede título de Doutora Honoris Causa à Iyalorixá Marina de Tunirê

A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) concedeu o título de Doutora Honoris Causa (in memoriam) à Iyalorixá Marina Áureo Galdino, em reconhecimento à sua trajetória marcada pela defesa da igualdade racial e pela valorização das culturas afro-brasileiras.

A cerimônia foi realizada no dia 24 de abril, no Auditório Lélia Gonzalez, no campus da universidade em Foz do Iguaçu, reunindo lideranças negras, representantes de movimentos sociais, autoridades acadêmicas e religiosas, com destaque para membros do Ilê Axé Ogum Funmilayo.

Mais do que uma solenidade, o ato foi marcado pelo reconhecimento da ancestralidade e da contribuição de Mãe Marina para a construção de uma sociedade mais plural. A homenagem também reafirma o compromisso institucional da universidade com a promoção da igualdade racial, o enfrentamento ao racismo e a valorização de saberes diversos.

A reitora Diana Araujo Pereira destacou o significado da honraria. “Esta cerimônia é um marco na nossa história, pois reafirma o papel da universidade na integração de saberes e na valorização de grupos historicamente marginalizados. Reconhecer a trajetória de Mãe Marina é também reconhecer o protagonismo de mulheres que transformam a sociedade”, afirmou.

A concessão do título foi aprovada pelo Conselho Universitário em outubro de 2025, com base na relevância da atuação de Marina Áureo Galdino nas áreas cultural, social e educacional. O título de Doutora Honoris Causa é destinado a personalidades que se destacam por contribuições excepcionais à sociedade, independentemente de formação acadêmica formal.

Para a professora Angela Souza, que também participou da homenagem, o reconhecimento reforça a necessidade de valorizar o legado das populações negras e indígenas. “A trajetória de Mãe Marina foi determinante para ações institucionais e práticas acadêmicas. É fundamental que a universidade continue reconhecendo e incorporando esses saberes”, destacou.

A emoção marcou também o depoimento de Cristiane Áureo Galdino, que relembrou a história da mãe na região. “Ela foi uma mulher firme, que enfrentou o racismo cotidiano e deixou um legado de resistência e amor. Este reconhecimento é uma vitória pela luta que ela construiu ao longo da vida”, afirmou.

Trajetória e legado

Falecida em 2021, Mãe Marina de Tunirê foi uma das principais lideranças religiosas e políticas da região da Tríplice Fronteira. Sua atuação foi marcada pela defesa da diversidade cultural, pelo diálogo inter-religioso e pela promoção da igualdade racial.

Ao longo de sua trajetória, estabeleceu parcerias com a UNILA em projetos de extensão voltados à educação para as relações étnico-raciais, à valorização das tradições africanas e afro-brasileiras e à defesa da liberdade religiosa. Também foi a primeira presidenta do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Foz do Iguaçu, atuando na articulação de políticas públicas e na organização de demandas dos povos tradicionais de terreiro.

Sua participação em escolas, conferências e iniciativas sociais contribuiu para fortalecer o debate sobre racismo estrutural, direitos humanos e reconhecimento da diversidade cultural, deixando um legado duradouro para Foz do Iguaçu e toda a região.

Foto: Judeley Césaire/SECOM-UNILA

Luana Kampmann

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Equipe de jornalismo do Acontece Foz