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UNILA conquista primeira patente de invenção de sua história com tecnologia para melhorar a qualidade da energia elétrica

Sistema desenvolvido por pesquisador da universidade é automatizado e reconfigurável e pode, no futuro, ser transformado em uma solução para o setor produtivo

Luana Kampmann

Luana Kampmann

17 de agosto de 2026
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UNILA conquista primeira patente de invenção de sua história com tecnologia para melhorar a qualidade da energia elétrica

A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) conquistou a primeira Patente de Invenção de sua história. A tecnologia, desenvolvida pelo pesquisador Oswaldo Hideo Ando Junior, recebeu a concessão do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) no dia 21 de julho de 2026.

A Carta Patente nº BR 102020004813-9 é referente à invenção denominada “Sistema Automatizado para o Gerenciamento da Qualidade da Energia Elétrica”. A UNILA é a titular da patente e Oswaldo Hideo Ando Junior é o inventor. O pedido havia sido depositado pela universidade em março de 2020.

A conquista representa um marco para a instituição e reforça a atuação da universidade na produção de conhecimento, inovação e desenvolvimento de tecnologias com potencial de aplicação prática.

Para a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UNILA, Kátia Punhagui, a concessão abre caminho para que outros pesquisadores também busquem proteger e transformar os resultados de suas pesquisas.

“É um feito da universidade” e, mais do que isso, “mostra que hoje nós temos um caminho aberto para novos inventores”, afirma.

Segundo Kátia, o processo também demonstra a importância do suporte oferecido pela instituição aos pesquisadores por meio do Núcleo de Inovação Tecnológica e Social (NIT). “O professor não está sozinho nesse processo”, destaca.

Tecnologia busca tornar sistema elétrico mais eficiente

A invenção surgiu a partir de uma pesquisa voltada à qualidade da energia elétrica (QEE), área relacionada às condições necessárias para que equipamentos e sistemas elétricos funcionem de maneira adequada e segura.

Quando a qualidade da energia é comprometida, podem ocorrer problemas como aquecimento, perdas elétricas, redução de desempenho, funcionamento inadequado e até danos aos equipamentos.

O pesquisador compara a situação à água que chega às residências. “Não basta ter água na tubulação; também esperamos que ela tenha pressão e qualidade adequadas. Com a eletricidade acontece algo semelhante.”

Entre os problemas que podem afetar a qualidade da energia estão as distorções nos sinais de tensão e corrente. Para corrigir esses distúrbios, são utilizados filtros elétricos. O problema é que sistemas convencionais geralmente são projetados para condições específicas e podem perder eficiência quando as características da rede ou da carga elétrica mudam.

Foi justamente para enfrentar essa limitação que surgiu a tecnologia desenvolvida na UNILA.

O sistema é capaz de monitorar continuamente as condições da rede elétrica e adaptar automaticamente sua atuação, selecionando, combinando, conectando ou desconectando diferentes filtros de acordo com a situação identificada.

A tecnologia considera parâmetros como tensão, corrente, fator de potência e distorções harmônicas. Com base nessas informações, o sistema identifica as condições da rede e define a configuração mais adequada para realizar a correção.

Também são realizadas medições antes e depois da atuação, permitindo verificar os resultados obtidos.

“O principal diferencial é justamente a capacidade de adaptação automática”, explica Ando Junior. Segundo ele, de forma simplificada, a tecnologia pode ser entendida como um “filtro inteligente e reconfigurável”, capaz de ajustar seu funcionamento às condições da rede elétrica.

Mais de sete anos de pesquisa

O desenvolvimento da tecnologia foi resultado de mais de sete anos de pesquisas realizadas por Oswaldo Hideo Ando Junior. O trabalho envolveu estudos sobre técnicas de detecção de distúrbios na qualidade da energia, análise das limitações dos filtros existentes e desenvolvimento de soluções para adequação da QEE.

Um dos principais desafios foi integrar sistemas de medição, processamento, automação e diferentes tipos de filtros em uma única solução.

A tecnologia foi validada em ambiente analítico computacional e também em ambiente controlado de laboratório dentro da própria universidade.

O pedido de patente foi protocolado junto ao INPI em 11 de março de 2020. Mais de seis anos depois, veio a concessão.

“Tem um significado muito especial, pois foram mais de seis anos entre o depósito do pedido e a concessão da patente”, destaca o pesquisador. Para ele, o processo demonstra que “inovação exige pesquisa, persistência e tempo”.

Primeira patente também marca atuação do NIT

A trajetória da patente também representa um momento importante para o Núcleo de Inovação Tecnológica e Social (NIT) da UNILA.

De acordo com Edina Dorilda de Oliveira, servidora que atua no Núcleo, o processo foi um desafio porque a universidade ainda não havia realizado um procedimento semelhante.

“Foi um desafio para a equipe do NIT, pois era algo novo, ainda não realizado pela Instituição.”

Para Edina, a concessão demonstra a capacidade da universidade de transformar conhecimento científico e tecnológico em soluções que podem gerar impacto para a sociedade.

“Não estamos falando apenas de um documento ou de um número concedido pelo INPI. Estamos falando do reconhecimento de uma tecnologia desenvolvida no ambiente universitário e da capacidade da UNILA de transformar conhecimento científico e tecnológico em uma solução que pode gerar impacto para a sociedade”, afirma.

Ela também destaca que a conquista é resultado de um trabalho coletivo envolvendo pesquisadores e diferentes setores da universidade.

“Para o NIT, essa conquista representa também a consolidação de um trabalho que, muitas vezes, acontece nos bastidores, mas que é, sobretudo, uma conquista coletiva.”

Patente abre caminho para aproximação com empresas

A concessão da patente não encerra o desenvolvimento da tecnologia. Pelo contrário, representa o início de uma nova etapa, voltada à possibilidade de aproximação com empresas e ao desenvolvimento de aplicações comerciais.

Segundo Ando Junior, o objetivo agora é buscar oportunidades para que a tecnologia possa avançar do ambiente acadêmico para o setor produtivo.

“A patente não representa o final, mas sim o início de uma nova etapa, aproximando a pesquisa acadêmica do setor produtivo até virar um produto com inserção no mercado.”

A pró-reitora Kátia Punhagui reforça que a patente é um dos caminhos para que os resultados produzidos dentro da universidade possam alcançar a sociedade.

Segundo ela, a pesquisa científica pode gerar impactos tecnológicos, sociais, econômicos e ambientais. No entanto, a concessão da patente, por si só, não garante que a tecnologia será transformada em um produto disponível no mercado.

“O simples fato de ter a patente não quer dizer que a gente vai gerar o impacto social, mas ele é um dos passos necessários para que isso aconteça”, explica.

Para Edina Oliveira, o reconhecimento também pode estimular outros pesquisadores da instituição a identificar possibilidades de proteção intelectual em seus próprios trabalhos.

“Quando conseguimos mostrar à comunidade acadêmica que uma tecnologia desenvolvida dentro da Universidade pode chegar à concessão de uma patente, estamos também estimulando outros pesquisadores a olhar para suas pesquisas e perguntar: ‘Será que aqui também existe uma tecnologia que pode ser protegida? Será que esse conhecimento pode chegar ao mercado ou beneficiar a sociedade?’”

A Carta Patente reconhece que a invenção apresenta aplicação industrial, novidade técnica e atividade inventiva.

Para a equipe responsável pelo processo, a conquista vai além do registro de uma tecnologia: representa o fortalecimento de uma cultura de inovação dentro da universidade.

“Mais do que comemorar uma patente concedida, celebramos a consolidação de uma cultura de inovação, na qual a pesquisa universitária é protegida, valorizada e transformada em soluções para a sociedade”, afirma Edina.

Para Kátia, a expectativa agora é que a conquista seja a primeira de muitas.

“A gente espera que agora venham outras. Quanto mais pessoas passarem por esse caminho, mais concreto ele vai ficar, mais robusto, maior”, conclui.

Luana Kampmann

Luana Kampmann

Equipe de jornalismo do Acontece Foz